11/10 - Adacamp
Voltamos para o segundo dia de apresentação na Adacamp, já que a grade de horário comportava duas turmas, e como era a semana da criança achamos válido fazer novamente lá e participar dessa festa com eles. Cheguei com meus fiéis escudeiros (Camila e Orlando) e com a cabeça mais tranqüila, afinal já conhecia o ambiente, já sabia onde montar, já sabia de onde puxar a tomada, e já imaginava que seria tudo igual ao dia anterior... mas (e sempre tem um mas, não é?) não foi, o lugar era o mesmo mas a turma era outra, completamente diferente, muitas crianças, correndo por todo lado, voando por todo canto, e outros tantos que ficavam num mundo particular, um outro grau da patologia, como se fossem ciscos dentro de uma bolha de sabão.
Voltamos para o segundo dia de apresentação na Adacamp, já que a grade de horário comportava duas turmas, e como era a semana da criança achamos válido fazer novamente lá e participar dessa festa com eles. Cheguei com meus fiéis escudeiros (Camila e Orlando) e com a cabeça mais tranqüila, afinal já conhecia o ambiente, já sabia onde montar, já sabia de onde puxar a tomada, e já imaginava que seria tudo igual ao dia anterior... mas (e sempre tem um mas, não é?) não foi, o lugar era o mesmo mas a turma era outra, completamente diferente, muitas crianças, correndo por todo lado, voando por todo canto, e outros tantos que ficavam num mundo particular, um outro grau da patologia, como se fossem ciscos dentro de uma bolha de sabão.
Montei tudo da mesma forma que no dia anterior, ao lado da
mesa do refeitório onde tinham as guloseimas e as bexigas da festa, e assim
como no dia passado foram formando os grupos ao redor, muito mais pessoas e um
fluxo bem maior de grandes e de pequeninos (muitos mesmo), mas que tinham um
respeito e uma educação com aquilo tudo que estava acontecendo que me deixou
fascinado.
Lembro de um grupinho sentado no chão, com umas oito
crianças, bem na minha frente, e quando eu comecei a tocar virou uma “rave”,
eles pulavam, dançavam, corriam por todos os lados, e já me vinha aquela imagem
das borboletas no meio do campo florido. Em alguns momentos um dos pequenos se
aproximava de mim, ficava parado em frente ao teclado e tentava olhar de baixo
para cima para os meus olhos, e toda vez que eu olhava para ele me dava um
sentimento de nostalgia, era como se ele tivesse olhos de saudade, de tudo
aquilo que não foi, que não vem, que não fui... era um olhar tão profundo,
olhos brilhantes da saudade, o olhar de todo o mundo, e então ele ria, de canto
de boca, de riso sincero, e me trazia de volta.
No meio de todos, um pequeno com a cara mais traquinas,
ligado no 220, corria frenético por todos os cantos possíveis daquele espaço,
por diversas vezes parava ao meu lado, esticava o dedo indicador e sutilmente
encostava no meu braço enquanto eu tocava, ainda não sei se ele queria saber se
eu estava ali ou se queria me mostrar que ele de fato estava ali, e de espectador
das borboletas acabei me tornando também parte do campo florido, aos olhos
dele, bolha de sabão... estica o dedo, dá um cutucão, cisco caído.
A penúltima música da apresentação era Coming Back, a faixa nove
do meu CD Analog Dream e certamente a trilha responsável em grande parte por todo
espaço que esse disco conquistou, fiquei impressionado com a forma que eles
interagiam com essa música, foi uma comoção coletiva, eram palmas, era um
círculo que se fechava ao meu redor, eram danças, eram borboletas ariscas... e
logo na Coming Back, que fala sobre “a volta”, que fala sobre tocar novamente o
próprio chão!
...continua...
Borboletas... Não acharia definição melhor!
ResponderExcluirSem palavras, Marcelo. Simplesmente emocionada.
Parabéns, parabéns e parabéns :)
Não queria ser esotérico ou algo assim, mas, energeticamente você está se tornando um vórtice cada vez mais poderoso! E cada vez que você compartilha esse poder, essa luz, esse som com as pessoas, o mundo fica Concretamente melhor pra quem participa dessas suas celebrações musicais!Isso é muito poderoso!
ResponderExcluirEsse é o Grande Amor!
Marcel Rocha!
A importância de se doar é a mesma de se receber, porque quando se recebe sem doar, fica que nem saco cheio de pé parado no chão que nunca voa... Furar o seu saco, permite que ele escoe os ares da vida e se doe, e cortar o saco da vida pode lhe dar asas, e se voares com a vida, nada mais receberás, porque já serás um com a vida a flutuar em seus ventos... No tobogan da vida voamos no seu rumo... Horizontem-se no rumo da vida que poderemos nos dar as mãos... Gostoso isso... Vuuuuu... uuuuu....
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